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COVID-19: MODELO ESTIMA 134 MIL MORTES NOS EUA, QUASE O DOBRO DA ÚLTIMA PREVISÃO

Publicado em 05 de Maio de 2020 | Fonte: Eric Levenson, Madeline Holcombe, Arman Azad e Steve Almasy, da CNN


Covid-19: Modelo estima 134 mil mortes nos EUA, quase o dobro da última previsão

 

Eric Levenson, Madeline Holcombe, Arman Azad e Steve Almasy, da CNN

04 de Maio de 2020 às 21:45

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Paramédicos levam paciente ao centro de emergência durante surto de Covid-19 no Brooklyn, em Nova York

Foto: Brendan McDermid/Reuters

Um modelo de previsão do avanço do novo coronavírus, frequentemente citado pela Casa Branca, estima cerca de 134 mil mortes por Covid-19 nos Estados Unidos — quase o dobro da previsão anterior.

Calculado pelo IHME (Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, na sigla em inglês) da Universidade de Washington, até o momento, o modelo previa 72.433 mortes. Nesta segunda-feira (4), os EUA chegaram a 68.689 vítimas fatais da Covid-19.

Paralelamente, um modelo do governo Trump projeta um aumento no número de casos e mortes nas próximas semanas: cerca de 3 mil mortes diárias nos EUA até 1º de junho, de acordo com um documento interno obtido pelo jornal The New York Times.

Na semana passada, cerca de 2 mil pessoas morreram diariamente nos EUA, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. Os aumentos acentuados nos dois modelos estão ligados ao distanciamento social relaxado e à maior mobilidade nos EUA. Estados em todo o país —incluindo Flórida, Colorado, Indiana, Nebraska e Carolina do Sul—  diminuíram as restrições na tentativa de estimular uma economia em crise e acalmar moradores inquietos.

O diretor do IHME, Dr. Christopher Murray, disse à CNN que outros fatores contribuem para o aumento de mortes nas estatísticas. Um deles é o crescente número de casos em algumas fábricas de carne no país. O especialista disse que os estados precisam equilibrar suas ações. "Acho que o desafio para todos nós é descobrir qual é a trajetória para relaxar o distanciamento social, em ritmo moderado que nos protegerá de grandes aumentos ou mesmo de um ressurgimento em larga escala", disse.

As projeções evidenciam os riscos fatais que as reaberturas representam. "É uma lógica simples", disse a correspondente da CNN, Elizabeth Cohen. "Quando você diz às pessoas: 'Ei, você pode ir a bares, arrumar as unhas, pode ir a um restaurante', esses números vão subir". O período de incubação do novo coronavírus —ou o tempo até que o paciente manifeste os sintomas da doença— varia de dois a 14 dias, de acordo com o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos). Além disso, o vírus pode se espalhar entre pessoas assintomáticas.

Com a testagem ainda limitada, as consequências dessas reaberturas podem não ser evidentes por várias semanas. Ali Mokdad, professor de ciências da saúde da IHME, disse que existem "várias razões" para o aumento das projeções.

"Um deles é o aumento da mobilidade antes do relaxamento", disse ele. "Estamos também adicionando mais mortes suspeitas e presenciando muitos surtos nos estados do centro-oeste americano, por exemplo".

Segundo o professor, várias variáveis afetam infecções —como calor, capacidade de teste e densidade populacional—, mas "a mais importante é a mobilidade". No momento, ele disse, "estamos vendo um aumento na mobilidade, levando a um aumento na mortalidade, infelizmente, nos Estados Unidos". O coronavírus matou 68.442 pessoas nos EUA e infectou mais de 1.177.748 outras, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

O presidente Donald Trump disse anteriormente que esperava 65 mil mortes no país, mas na noite de domingo (3), revisou o número estimado de mortes de 80 mil a 90 mil pessoas.

Pode não ter sido a última revisão. Deborah Birx, integrante da força-tarefa contra o coronavírus da Casa Branca, disse que as projeções mostraram entre 100 mil a 240 mil mortes nos EUA, mesmo com o distanciamento social.